Polêmica
Prefeita de Jateí contesta estimativa após IBGE apontar menos moradores que eleitores
Segundo o IBGE, Jateí tem população estimada em 3.573 pessoas
Publicado em 10/09/2026 às 13:35
A Prefeitura de Jateí, cidade a 265 km de Campo Grande, contestou formalmente a estimativa populacional divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para 2026 depois de identificar uma diferença incomum entre o número de habitantes atribuído ao município e a quantidade de eleitores aptos.
Segundo o IBGE, Jateí tem população estimada em 3.573 pessoas. Já os dados oficiais do TRE-MS (Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul) apontam 4.351 eleitores com inscrição apta no município.
Na prática, são 778 eleitores a mais do que toda a população estimada, diferença de aproximadamente 21,8%. A disparidade chama atenção porque o total de habitantes inclui também crianças, adolescentes e outras pessoas que não integram o cadastro eleitoral.
Com base nessa diferença, a prefeitura apresentou recurso administrativo ao IBGE e pediu o reexame técnico da estimativa. O município também solicitou acesso à memória de cálculo e aos parâmetros usados para chegar aos 3.573 habitantes e apresentou dados de outras bases oficiais para sustentar a contestação.
Além do cadastro eleitoral, os registros municipais de saúde também apontam números superiores à estimativa populacional do instituto.
Relatórios do Ministério da Saúde mostram 6.719 cidadãos ativos cadastrados na Atenção Primária à Saúde. Já os relatórios territorializados de acompanhamento registram 6.589 pessoas vinculadas.
Esses cadastros estão associados às famílias e aos respectivos domicílios distribuídos pelas áreas e microáreas da Estratégia Saúde da Família. Os moradores são acompanhados pelos agentes comunitários de saúde, responsáveis por visitas periódicas e pelo contato direto com as famílias.
A metodologia da Saúde é diferente da utilizada pelo IBGE e os dados não substituem o Censo. Ainda assim, a equipe da prefeita Cileide Cabral da Silva Brito (PSDB) argumenta que os registros representam uma população identificada territorialmente, vinculada a domicílios e acompanhada pelas equipes municipais.
Com isso, duas bases oficiais voltadas a finalidades distintas apresentam números superiores à estimativa do IBGE. São 4.351 eleitores aptos registrados pelo TRE-MS e 6.589 cidadãos acompanhados territorialmente pela Saúde, enquanto o instituto estima 3.573 habitantes no município.
A contestação também aponta uma redução na própria série de estimativas do IBGE. No Censo de 2022, Jateí tinha 3.586 habitantes. A estimativa subiu para 3.596 em 2025, mas caiu para 3.573 em 2026.
Outro aspecto apresentado no recurso é a extensão territorial do município. Jateí possui aproximadamente 1.933 quilômetros quadrados e tem moradores distribuídos entre áreas urbanas e rurais. A característica também foi citada no pedido para que o instituto reavalie os parâmetros utilizados no cálculo.
A prefeitura afirma que não pretende substituir a metodologia oficial pelos cadastros eleitorais ou de saúde. O objetivo do recurso é fazer com que o IBGE analise tecnicamente as divergências e verifique se houve erro, inconsistência ou necessidade de ajuste na estimativa.
A diferença também tem efeitos que vão além da estatística. Os dados oficiais de população são utilizados como referência em políticas públicas e em critérios relacionados à distribuição de recursos aos municípios. Em cidades pequenas, uma variação de algumas centenas de moradores pode representar impacto proporcionalmente maior.
O recurso está agora sob análise do IBGE. A contestação se apoia principalmente em três números: os 3.573 habitantes estimados pelo instituto, os 4.351 eleitores aptos registrados pelo TRE-MS e os 6.589 cidadãos acompanhados territorialmente pela rede de Saúde.
A expectativa da prefeita é que o IBGE esclareça as razões da diferença e, caso identifique alguma inconsistência, revise a estimativa populacional de Jateí.
O IBGE informou que não utiliza dados de registros administrativos no cálculo das Estimativas da População dos Municípios. Embora importantes do ponto de vista da gestão de serviços públicos, esses registros não foram criados para contar pessoas residentes de determinada localidade, em determinado ponto no tempo.
“Para que possam ser utilizados com finalidade estatística, especificamente como referência para aferir a evolução populacional é necessário: avaliar a qualidade dos registros/cadastros por meio da crítica e da consistência dos dados; proceder com a limpeza das bases ou imputações necessárias; avaliar o grau de cobertura desses registros; e, por fim, proceder à harmonização dos conceitos utilizados, visando ao uso desses dados em modelos estatísticos específicos”, diz o instituto, em nota.
Fonte: Helio de Freitas, de Dourados/Campo Grande News
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