Economia
Mato Grosso do Sul tem quase R$ 90 bilhões em investimentos previstos
A nova panorâmica mostra avanço de obras, projetos que ganharam cronograma e também investimentos que foram reprogramados
Publicado em
14/09/2026 às 09:30
Atualizado em
Mato Grosso do Sul mantém uma carteira próxima de R$ 90 bilhões em grandes investimentos previstos para os próximos anos, mesmo após a conclusão de empreendimentos que estavam no radar no levantamento realizado pelo Correio do Estado em 2025.
A nova panorâmica mostra avanço de obras, projetos que ganharam cronograma e também investimentos que foram reprogramados.
O levantamento atualizado pelo Correio do Estado reúne cerca de R$ 85 bilhões em investimentos privados entre projetos em implantação, confirmados ou em fase de estruturação.
A esse montante se soma a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3), da Petrobras, com investimento superior a R$ 5 bilhões para a conclusão da fábrica em Três Lagoas. Com isso, o volume chega a cerca de R$ 90 bilhões.
O valor, portanto, é superior aos R$ 81,5 bilhões identificados na reportagem publicada no ano passado. A comparação, porém, não significa apenas o surgimento de novos recursos.
Alguns empreendimentos que constavam no levantamento anterior já entraram em operação, enquanto outros foram substituídos por uma nova geração de projetos.
Entre os maiores investimentos está o Projeto Sucuriú, da Arauco, em Inocência, estimado em R$ 25 bilhões.
A construção da fábrica avançou para uma etapa decisiva e a previsão é de início das operações no segundo semestre de 2027. A unidade terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano.
A movimentação em torno do empreendimento também já alcança a logística. O ramal ferroviário da Arauco, que consumirá cerca de R$ 1 bilhão, chegou a 50,8% de execução e teve iniciado o orçamento das vigas de uma ponte de 270 metros.
CELULOSE
O setor de celulose continua sendo o principal responsável pela concentração de capital na nova carteira de investimentos de Mato Grosso do Sul. Além da Arauco, a Bracell projeta uma fábrica no Estado, com investimento estimado pela Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) em R$ 25 bilhões.
O empreendimento, que inicialmente seria instalado em Água Clara, foi direcionado para Bataguassu e terá capacidade produtiva de aproximadamente 2,8 milhões de toneladas de celulose.
Em julho deste ano, o governo estadual entregou a licença prévia para o empreendimento. Apesar do avanço no licenciamento, o início das obras foi reprogramado para 2027, depois de uma previsão inicial de começar em fevereiro deste ano.
O terceiro grande projeto é a segunda linha da Eldorado Brasil, em Três Lagoas. Depois de anos travada pelo conflito societário entre a J&F e a Paper Excellence, a proposta voltou ao radar após a solução da disputa.
O investimento estimado é de R$ 25 bilhões e elevaria a capacidade de produção da empresa de 1,8 milhão para aproximadamente 4,4 milhões de toneladas de celulose por ano.
O projeto, contudo, deve ser tratado com uma ressalva. Embora a expansão esteja novamente nos planos da empresa, ainda não há um cronograma oficial de inauguração. Por isso, o valor entra no levantamento como projeto confirmado, mas não como uma obra com data definida.
Somados, Arauco, Bracell e Eldorado representam R$ 75 bilhões, ou mais de 80% de toda a carteira mapeada.
BIOENERGIA
A segunda frente de grandes investimentos está no setor sucroenergético. A Atvos confirmou um pacote adicional de R$ 2,36 bilhões para Mato Grosso do Sul, destinado à instalação de três plantas, uma unidade de biometano e duas usinas de etanol de milho.
Em Nova Alvorada do Sul, a planta de biometano recebe investimento superior a R$ 350 milhões e já está em implantação. A unidade deverá produzir cerca de 28 milhões de metros cúbicos de biometano por safra, utilizando resíduos da cana-de-açúcar.
Também em Nova Alvorada do Sul, a Atvos recebeu licença de instalação para uma nova usina de etanol de milho. O projeto prevê investimento superior a
R$ 1 bilhão.
A terceira unidade prevista pela companhia será instalada em Costa Rica. Como os três projetos fazem parte do mesmo pacote de R$ 2,36 bilhões, o levantamento considera o valor consolidado para evitar dupla contagem.
Outra aposta na produção de biocombustíveis está em Jaraguari, onde a usina de etanol de amido Pioneiras prevê investimento de R$ 300 milhões.
O movimento reforça a mudança no perfil dos investimentos industriais do Estado, que deixa de depender exclusivamente da celulose e amplia a participação de etanol de milho, biometano e outras fontes de energia renovável.
OUTRAS FRENTES
Em Corumbá, a LHG Mining, do grupo J&F, prevê R$ 4 bilhões para ampliar as operações no complexo Morro do Urucum. O projeto pretende elevar a produção anual de minério de ferro de alto teor de 12 milhões de toneladas para 25 milhões de toneladas.
Na região sul do Estado, a Copasul mantém em implantação a indústria de processamento de soja em Naviraí, com investimento total de R$ 1,4 bilhão. A unidade deverá produzir farelo e óleo vegetal e agregar valor à produção de soja regional.
A agroindústria também aparece com força na expansão da citricultura. A Cambuhy Agropecuária, do grupo Moreira Salles, anunciou R$ 1,2 bilhão para o plantio de laranja na região de Ribas do Rio Pardo e Água Clara. Já a Cutrale prevê R$ 500 milhões para o cultivo de cerca de 5 mil hectares na divisa entre Campo Grande e Sidrolândia.
A citricultura já acumula cerca de R$ 2,1 bilhões em investimentos anunciados no Estado, considerando diferentes grupos que estão implantando pomares.
UFN3
Fora do cálculo dos investimentos privados, a UFN3 representa uma das principais novidades em relação ao levantamento do ano passado. Depois de mais de uma década de paralisação, a Petrobras retomou oficialmente as obras da fábrica de fertilizantes em Três Lagoas.
A estatal estima investimento de cerca de US$ 1 bilhão, equivalente a mais de R$ 5 bilhões, para concluir o empreendimento.
A previsão atual é de início das operações comerciais em 2029. A fábrica deverá responder por aproximadamente 15% da demanda nacional de ureia, reforçando a estratégia de reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados.
A retomada também representa uma mudança importante em relação à reportagem anterior, quando a UFN3 ainda era tratada como uma promessa sem definição concreta para o reinício das obras.
Fonte: Súzan Benites/Correio do Estado
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