Medida
Com usina em Caarapó, Raízen pede recuperação extrajudicial por dívida de R$ 64 bi
A unidade de Caarapó tem capacidade para moagem de 4,1 milhões de toneladas por ano
Publicado em 06/06/2026 às 09:39
A Raízen submeteu, nesta sexta-feira, 5, à 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo, o Plano de Recuperação Extrajudicial para reestruturar a dívida de R$ 64,7 bilhões da companhia. Em Mato Grosso do Sul segundo o Correio do Estado, a Raízen controla somente uma usina, em Caarapó. As outras duas ela vendeu em 2025 por cerca de 1,5 bilhão.
Através da publicação de Fato Relevante, a empresa anunciou a adesão de 75,45% dos credores ao plano, como já havia adiantado a apuração do Estadão/Broadcast. Todos os grupos de credores, isto é, detentores de títulos internacionais, títulos locais e bancos, apoiaram a proposta.
A expectativa era de que o documento fosse protocolado na Justiça entre esta sexta-feira, 5, e a segunda-feira, 8.
Entre as principais medidas do plano está a injeção de capital de R$ 3,5 bilhões pela Shell, além da possibilidade de aporte adicional de R$ 500 milhões pela Aguassanta Participações, ligada à família do empresário Rubens Ometto, acionista controlador da Cosan S.A..
O plano também prevê a conversão de 45% da dívida reestruturada em participação acionária e a substituição, refinanciamento ou aditamento dos 55% restantes por meio de novos títulos de dívida
A empresa informou ainda que pretende avançar com desinvestimentos e reorganizações societárias para fortalecer a estrutura financeira da companhia.
EMPRESA BRASILEIRA
Uma empresa genuinamente brasileira, a Cocal Agroindústria, pertencente à família paulista Garms, com longo histórico no setor de usinas de cana, deixou para trás os sheiks do petróleo do fundo de investimentos Mubadala e comprou duas das três usinas da Raízen em Mato do Grosso do Sul em agosto do ano passado.
A Cocal, que tem duas usinas no estado de São Paulo, desembolsou R$ 1,543 bilhão pelas usinas Passa Tempo e Rio Brilhante, ambas no município sul-mato-grossense de Rio Brilhante. As duas unidades, com capacidade anual para processamentos seis milhões de toneladas de cana, estavam na mira da Atvos, que já tem três outras usinas em Mato Grosso do Sul.
Desde 2021 as duas usinas vendidas em agosto pertenciam à Raízen, do Grupo Cosan, controlado pelo bilionário Rubens Ometto. Desde o começo de 2025 ele tentava se desfazer das unidades e em junho chegou a ser anunciado que elas estavam prestes a ser vendidas para os sheiks árabes da Atvos.
Na unidade de Caarapó, que tem capacidade para moagem de 4,1 milhões de toneladas por ano, a Raízen investiu em torno de R$ 1,3 bilhão desde 2023 para a produção de etanol de segunda geração.
Com o investimento, além da produção de etanol ‘normal’, a usina passou a produzir etanol de segunda geração, que é produzido a partir dos resíduos restantes do processo de fabricação do etanol comum e do açúcar.
(Com informações da Agência Estado)
Fonte: Neri Kaspary/Correio do Estado
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