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Artista caarapoense cria primeiro mangá autoral inspirado na cultura indígena

A história gira em torno de Mita, uma criança pertencente a uma etnia indígena fictícia que vive em um universo chamado “Tekoha”

Publicado em 26/05/2026 às 07:34
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O Mangá Kayre, um projeto do artista de Caarapó, Michel Gil Coronel (Foto: Divulgação )

O artista e professor caarapoense Michel Gil Coronel divulgou recentemente em suas redes sociais,  o lançamento do projeto “Kayre”, considerado o primeiro mangá autoral produzido por um morador de Caarapó. A obra, desenhada totalmente à mão, mistura o tradicional estilo oriental dos quadrinhos japoneses com referências inspiradas na cultura indígena regional, trazendo representatividade e valorização das raízes sul-mato-grossenses.

Na publicação, Michel apresentou uma prévia das 27 páginas já desenvolvidas do projeto, que há anos vinha sendo idealizado. O artista explicou que a iniciativa nasceu da vontade de unir duas paixões presentes em sua vida desde a infância: o desenho e a valorização cultural da região onde vive.

Segundo ele, a percepção de que existiam poucas produções no estilo mangá que abordassem a realidade indígena e os elementos culturais do Mato Grosso do Sul foi o principal combustível para tirar a ideia do papel.

“O Mangá Kayre busca aproximar a linguagem dos quadrinhos japoneses da riqueza cultural dos povos originários de Mato Grosso do Sul”, destacou.

A história gira em torno de Mita, uma criança pertencente a uma etnia indígena fictícia que vive em um universo chamado “Tekoha”, fortemente inspirado na natureza, espiritualidade e nos costumes dos povos originários. Ao longo da narrativa, o personagem enfrenta perdas e desafios causados pelo avanço desenfreado das máquinas e da exploração ambiental, representados pelo antagonista da trama.

Mais do que entretenimento, Michel afirma que o mangá carrega mensagens importantes sobre fé, equilíbrio, preservação ambiental, respeito às culturas tradicionais e fortalecimento da identidade cultural através da representatividade.

O artista contou ainda que desenha desde criança e sempre gostou de criar personagens, histórias e mundos imaginários. Com o passar dos anos, foi aperfeiçoando suas técnicas através de estudos, prática constante e experiências ligadas à arte e à educação.

Entre suas inspirações estão grandes mestres do mangá japonês e produções conhecidas mundialmente, como “Avatar”, obra que também aborda a conexão entre os seres humanos e a natureza. Além disso, Michel busca referências na cultura indígena brasileira e em artistas regionais que valorizam as raízes culturais do país.

O desenvolvimento do “Kayre” começou há cerca de três anos. Inicialmente, o projeto foi inscrito em editais estaduais de incentivo à cultura, porém acabou não sendo aprovado. Mesmo diante das dificuldades, Michel decidiu seguir em frente por conta própria.

“Ainda recebemos a avaliação de que a equipe não era capacitada para o projeto, mesmo contando com profissionais da área como editores, antropólogos e professores. Depois disso, decidi colocar o projeto pra frente por meios próprios”, relatou o artista.

Para garantir autenticidade e respeito cultural, Michel realizou pesquisas aprofundadas, visitou comunidades indígenas e conversou com especialistas antes de desenvolver os personagens e a identidade visual da obra.

Como todo projeto independente, os desafios foram muitos. O artista destacou a dificuldade de conciliar a produção com a rotina profissional e familiar, além da limitação de recursos financeiros e do cuidado necessário para evitar estereótipos na representação cultural indígena.

Mesmo assim, a recepção do público vem sendo bastante positiva. Professores, estudantes, artistas e moradores da região demonstraram entusiasmo ao conhecer um mangá produzido em Caarapó com forte ligação à cultura local.

Michel pretende lançar o projeto tanto no formato digital quanto impresso. A primeira versão física será utilizada como piloto para apresentação em festivais e encontros culturais, incluindo um evento voltado à produção editorial que acontecerá no Rio de Janeiro entre os dias 25 e 30 deste mês.

Ao final, o artista deixou uma mensagem de incentivo para jovens criadores e produtores culturais de Caarapó e região.

“O mais importante é começar, mesmo que os recursos sejam limitados. Todo grande projeto nasce de uma ideia simples acompanhada de dedicação e persistência. Nossa cultura possui histórias incríveis que merecem ser contadas e compartilhadas com o mundo”, afirmou.

O caarapoense Michel Gil Coronel exerce também atualmente o cargo de chefe do Departamento de Cultura de Caarapó.


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