Levantamento
Pós-parto lidera mortes maternas em MS mesmo com avanço no pré-natal
A região abrange municípios como Nova Andradina, Paranhos, Batayporã, Coronel Sapucaia, Dourados, Nova Alvorada do Sul e Japorã
Publicado em
04/05/2026 às 14:19
Atualizado em
O período após o parto tem se consolidado como um dos mais críticos para a saúde da mulher em Mato Grosso do Sul. É o que aponta o boletim epidemiológico de Mortalidade Materna, Fetal e Infantil, divulgado pela SES (Secretaria de Estado de Saúde), que detalha o perfil das vítimas e os principais fatores associados aos óbitos.
Das quatro macrorregiões formalizadas, apenas a do Pantanal não registrou mortes maternas. Em números absolutos, a macrorregião Sul concentra a maior quantidade de casos, com 10 óbitos. A região abrange municípios como Nova Andradina, Paranhos, Batayporã, Coronel Sapucaia, Dourados, Nova Alvorada do Sul e Japorã.
As macrorregiões Centro, onde está Campo Grande, e Costa Leste aparecem na sequência, com 8 e 3 mortes, respectivamente. No entanto, ao considerar o risco, medido pela Razão de Mortalidade Materna, a Costa Leste lidera, seguida pela Sul.
O perfil predominante das vítimas reúne mulheres entre 30 e 39 anos, pardas, com uma ou mais gestações anteriores e submetidas ao parto cesariano. A maioria das mortes ocorreu no período puerperal, fase que sucede o nascimento do bebê.
“Esse perfil evidencia o puerpério como período crítico, indicando a necessidade de fortalecimento da continuidade do cuidado após o parto, com integração entre os níveis de atenção”, destaca o boletim.
Causas — Em 2025, foram registrados 21 óbitos maternos no Estado. Desse total, 66% tiveram como causa fatores obstétricos diretos, enquanto 24% decorreram de causas obstétricas indiretas. Outros 10% permaneceram sem causa especificada.
As principais causas identificadas foram complicações hipertensivas e hemorragias obstétricas, responsáveis por parcela significativa das mortes. Entre os fatores indiretos, a tuberculose se destaca, evidenciando a relação entre mortalidade materna e condições de vulnerabilidade social.
Pré-natal — Apesar do cenário, o boletim aponta aumento no número de consultas de pré-natal entre os casos investigados. Mais de 50% das gestantes realizaram sete ou mais atendimentos, superando o mínimo recomendado pelo Ministério da Saúde.
“Entretanto, esse aumento de acesso não se refletiu na redução da mortalidade materna. Esse achado sugere limitações na qualidade da assistência, indicando que o cumprimento quantitativo do pré-natal, de forma isolada, não garante desfechos maternos favoráveis”, ressalta a nota.
De forma geral, o levantamento mostra que, embora o pré-natal seja iniciado precocemente, persistem fragilidades no acompanhamento das gestantes nas últimas semanas de gravidez, além de inconsistências nos registros, o que dificulta a análise dos dados e o planejamento de ações mais eficazes.
Óbitos fetais e infantis — Entre 2021 e 2025, os registros de óbitos fetais permaneceram relativamente estáveis, sem variações expressivas ao longo do período. No entanto, há predominância de causas não especificadas, o que também limita a compreensão do cenário.
Já a mortalidade infantil apresentou oscilações moderadas. Após atingir o menor índice em 2021, houve aumento até 2023, seguido de estabilização nos anos seguintes, sem tendência contínua de alta ou queda.
No acumulado de 2021 a 2025, foram registrados 2.468 óbitos de crianças menores de 1 ano, com média anual de 494 casos. Desse total, 67% tiveram como causa básica afecções originadas no período perinatal, com destaque para septicemia neonatal, desconforto respiratório e condições relacionadas à saúde materna.
Fonte: Geniffer Valeriano/Campo Grande News
Notícias relacionadas
Nado Tozzi leva terceira turma do Projeto Doar ao Hemosul e incentiva doação
25/06/2026 às 10:00
Ressonância em hospital de Dourados reduz viagens e anos de espera por diagnóstico no SUS
23/06/2026 às 09:05
Aedes avança e 9 cidades de MS aparecem em alto risco para infestação
20/06/2026 às 11:02
Dourados confirma 15ª morte por chikungunya e concentra 68,2% dos óbitos em MS
19/06/2026 às 17:37
HR de Dourados passa a oferecer atendimento oftalmológico com mais de mil vagas por mês
16/06/2026 às 09:11
MS recebe 8,3 mil doses da vacina Pneumo 20 e amplia proteção contra doenças graves
10/06/2026 às 16:01